O mistério das escolhas amorosas
10 jan 2012 Deixe um comentário
Quando somos pequenos, os pais nos levam a criar figuras internas de homens e mulheres que motivarão, em boa parte, a atração que sentimos por alguém. As imagens nascem, de início, do tipo de relação que temos com a mãe. Isso talvez explique por que há homens que se casam com tiranas. Mas não basta para entender, pois em amor nada é garantido.
O belo poema Amor, de Carlos Drummond de Andrade (1902 1987)), toca na incógnita da atração que sentimos por uma determinada pessoa, enquanto outra, talvez muito interessante, nada nos desperta. O poeta escreve: “São dois em um: amor sublime selo/ que à vida imprime cor, graça e sentido./ O ser busca outro ser, e ao conhecê-lo,/ acha a razão de ser já dividido.”
Um poeta tem grande sensibilidade para falar de amor. A psicologia, embora de outra maneira, também é sensível ao assunto, e utiliza-se da análise para perceber o que motiva as escolhas amorosas. De início convém observar que apaixonar-se, ter um par, um companheiro é desejo quase unânime. Poucos querem ficar sós. Mesmo antes da adolescência, na puberdade, crianças já buscam namoradinhos; paqueram brincando. Não ser escolhido, ser rejeitado é o pavor de todos.
Mas não se limita a um belo corpo, roupas de grife, ser esportista ou intelectual, o que vai determinar se uma pessoa é mais ou menos atraente. Existem fatores internos, emoções, sentimentos e os famosos complexos, com maior poder sobre essas escolhas do que podemos sequer pensar.
Carl Gustav Jung ( 1875 -1961), renomado psiquiatra suíço, disse que somos todos psicologicamente andróginos. Muitas tradições e mitos trazem a idéia de que o homem original era masculino e feminino. Eva foi criada a partir de uma costela de Adão, que portanto já trazia o feminino dentro de si.
O filósofo grego Platão ( 427-347 A. C) nos conta um mito no qual se diz que os seres originais eram redondos, com quatro braços, quatro pernas e duas faces. Esses seres eram maravilhosos e completos. Os deuses, invejosos, os cortaram em duas metades, a masculina e a feminina. Desde então as metades ficam se procurando; quando se encontram têm um sentimento tão grande de união, de completude, que não querem separar-se nunca mais. E temoem que os deuses, novamente com inveja, os separem.
Para Jung , todo homem tem um lado feminino interno que ele chamou de anima (alma em latim); e toda mulher tem um lado interno masculino, animus (espírito). A anima e o animus. segundo o psiquiatra, é que se responsabilizam pela atração que sentimos por uma pessoa determinada. São figuras internas, fundamentais para realizarmos nossas escolhas amorosas. Elas se formam em nossa imaginação, primeiramente nas relações com a mãe; depois, com o pai, parentes, professoras, amigos. Nossa imagem interna será projetada no parceiro. Se encontramos alguém que se parece com nossa figura interna, temos a tendência de sentir atração por ela. Por isso é tão importante o relacionamento da criança com os pais.
Neste artigo comentarei apenas a relação mãe-filho.
* A mãe tem de ser bastante boa, acolhedora, amorosa, para que o filho se sinta amado, valorizado. O pequeno interpreta assim o comportamento materno: “Se minha mãe me ama, é porque sou bom, bonito”. A auto-estima se forma a partir desse contato. Se a mãe for negativa, destruidora ou agressiva, a criança vai achar de si mesma que não é suficientemente boa.
* Um menino que foi abandonado pela mãe formará uma imagem interna feminina negativa e terá a tendência de se apaixonar por pessoas que o rejeitam, traem ou agridem, repetindo o modelo inicial de sua vida.
* Se a mãe exagerar nos cuidados e mimá-lo em excesso, também poderá causar males. O filho ficará preso a ela, sem coragem de enfrentar o mundo; e, o que é pior, lhe faltará capacidade de amar. Nenhuma mulher poderá competir com a mãe perfeita. Provavelmente será machista, inseguro e imaturo.
Depois de tudo isso, é preciso destacar o seguinte: não há garantia nenhuma em questões amorosas, mesmo que a mãe tenha sido ótima. Mas o carinho e o bom senso nas relações com os filhos ajudarão a formar pessoas saudáveis que terão capacidade de se relacionar de maneira digna e amorosa com o parceiro. Para voltar a Drummond: “Amor, sublime selo, que à vida imprime cor, graça e sentido.”
Críticas e cobranças não mudam o parceiro…
03 jan 2012 Deixe um comentário
Um casal não precisa concordar em tudo, nem ficar junto todo o tempo. Interesses diferentes devem ser respeitados e até incentivados, pois enriquecem a relação. Quando um parceiro insiste em transformar o outro, pressionando-o com freqüência, acaba por deixá-lo tenso e desconfortável. Afinal, queremos ser amados como somos.
Ninguém é perfeito, por isso é fácil criticarmos nossos parceiros. Um atraso, um pouco de sal a mais na comida, o esquecimento de alguma coisa que precisava ser comprada, querer muito ou pouco sexo, ser bagunceiro ou arrumado demais, tudo é motivo para reclamarmos e exigirmos mudanças. No fundo, queremos moldá-los ao nosso próprio jeito de ser. Mas é bom refletir um pouco sobre até que ponto isso pode funcionar.
Claro que quanto mais parecido for o casal, menos pontos de atrito terá. Mas muitos parceiros têm gostos diferentes e, aí, sua única alternativa de entendimento é aprender a fazer concessões.
Temos um ideal romântico do casamento pelo qual imaginamos os casais juntinhos o tempo todo. Pensamos que casar ou ter alguém é uma forma de preencher nossas carências, nosso medo da solidão. Mas as pessoas têm necessidades diversas e muitas vezes precisam, ,ficar sós. Aí é que começa a confusão. Alguns parceiros se ressentem se o outro reivindica um tempo apenas para si. Ficam desesperados e cobram a sua presença. Tal comportamento mostra insegurança e medo de perder, e em vez de atrair, prender, provoca o efeito oposto: a pressão afasta a pessoa, que se cansa de ser cobrada. Há, no limite, quem chegue a proibir o parceiro de se dedicar a uma vocação ou hobby. Exige que faça uma opção: “Ou o balé ou eu”. No fundo, o temor é de que o ser amado, ao se apaixonar por um projeto ou desenvolver-se profissionalmente, passe a desprezá-lo ou desprezá-la.
No filme Mentiras Sinceras, do diretor Julian Fellowes (57), o marido pergunta à mulher por que o traiu. A conversa é mais ou menos assim: “Sou por acaso cruel, descortês, ou ele é melhor do que eu? É mais bonito, mais rico, um amante mais eficiente?”, ele pergunta. Ao que a mulher responde: “Não é nada disso. É só porque é mais tranqüilo estar com ele. Não exige nada de mim, além do amor.” O marido retruca: “E isso é bom?” A mulher responde: “Você é cheio de critérios, de certezas. Eu sempre o desaponto. Vivo tensa, com medo de fazer alguma coisa errada”.
As exigências, as tentativas de mudar o parceiro ou a parceira por intermédio de críticas têm o efeito oposto. No mesmo filme, o marido ainda pergunta: “Você me disse que não iria mais vê-lo, mas foi. Por quê?” E a mulher diz: “Eu estava mentindo. Você exigiu que eu respondesse o que você pretendia e eu respondi.”
Quando estamos com alguém que nos recrimina, nos critica e diz a todo momento que estamos errados, nosso corpo entra em tensão. Ao contrário, carinho e elogios têm o poder de nos relaxar, dão vontade de chegar perto, de nos entregar. Podemos fazer a experiência. Se apertarmos os músculos, franzirmos os olhos, cerrarmos os dentes e em seguida soltarmos, ficando relaxados, vamos sentir a diferença. O que é mais agradável, tensão ou relaxamento? Tentando segurar nosso parceiro e exigindo sua presença só conseguimos que ele se afaste cada vez mais de nós.
O casal, além de uma vida em comum, deve ter interesses individuais, cada um desenvolvendo seu potencial e sua criatividade. Isso enriquece a relação. Se um gosta de pintura e o outro de dança ou de matemática, pode ser enriquecedor trocar conhecimentos, informações. Quem tem interesses próprios não vai ficar exigindo a presença constante do outro, nem perder tempo fazendo críticas. Quando ficarem juntos, um vai colaborar para o enriquecimento cultural e psíquico do outro e não sobrará tempo para mesquinharias como “você sempre…” ou “você nunca…”
Sugiro aos casais que se amam que deixem o outro livre para ser quem realmente é. Quanto mais usar seu potencial, mais alegre e relaxado ficará. A vida fora de casa, no trabalho, já é difícil e estressante. O lar deve ser o lugar onde podemos deixar de lado as convenções, sabendo que nosso companheiro ou nossa companheira nos ama como somos, sem qualquer tipo de recriminação.
A Traição causa sofrimento aos três
03 jan 2012 1 Comentário
A traição, que sempre afligiu casais, causa sofrimento aos três
Algumas pessoas não conseguem manter-se fiéis na relação amorosa. Seguem necessidades inconscientes — se não o fizessem, estariam traindo a si próprias. A situação não fica em brancas nuvens, pois um intui a vida oculta do parceiro e o outro vive dividido. O caminho é abrir o coração com franqueza. Pois não se é infiel a si ou ao outro impunemente.
Um tema trazido com freqüência aos consultórios é o da traição. Às vezes por quem trai e outras, muito mais, por quem é traído. Visto de qualquer lado, é sempre um assunto delicado.A palavra trair vem de entregar e traidor é o que entrega. Significa, portanto, entregar-se, mostrar aspectos seus normalmente ocultos. Ou entregar o outro.
Do ponto de vista analítico, quem trai o faz para não trair a si: tenta ser fiel aos seus desejos inconscientes, não aprovados pela sociedade. Na revista Veja de 19 de maio (páginas amarelas), a comunicóloga americana Laura Kipnis (47) contesta alguns dos conceitos mais sagrados da sociedade, como casamento, amor, monogamia, fidelidade. De modo algo pessimista, observa que é uma utopia procurarmos a felicidade no amor. E, assim como o dramaturgo e escritor pernambucano Nelson Rodrigues (1912-1980), ela acha que “a fidelidade deveria ser opcional, não obrigatória”.
Como se vê, a questão é difícil e polêmica. Embora à primeira vista não pareça, envolve sofrimento de ambos, porém de conteúdos diferentes: devemos seguir sempre o nosso desejo, o prazer, ou o transformarmos para ser fiéis a nossos votos e responsabilidades? Ao assistir a novelas como Celebridade, observamos a banalização do sexo e da traição.Trocar de parceiro, trair, mentir, é a tônica da novela. O triangulo amoroso é vivido sem culpa. Como uma diversão.
O casal de classe média que assiste à TV vive vicariamente as infidelidades e traições, e imagina que isso seria normal entre celebridades. As personagens mais lindas e ousadas trocam de parceiro sem nenhum escrúpulo, e quanto mais traem e mentem, mais sucesso conseguem.
Tudo isso deve tornar cada vez mais difícil às pessoas comuns decidirem o que seria ético em questões de amor. Pois existem pessoas que não agüentam trair seus sentimentos, renunciando à veracidade de sua alma. Para estas, a fidelidade à verdade interior é o único meio de viver. Sua sensibilidade interna é mais forte do que as pressões dos padrões sociais que dela divergem. Como não conseguem enfrentar os códigos coletivos, acabam traindo. Encontram um equilíbrio precário vivendo entre os dois pólos. Mas o ditado adverte: “Três, o diabo fez”. Equilibrar-se nessa balança é difícil a todos os participantes do triângulo.
Uma relação ideal deveria durar enquanto dura o amor e o desejo — numerosos casais são felizes e monogâmicos, e nunca sentiram necessidade de trair. Quanto à crença de que o homem trai mais por destino biológico, isso vem mudando desde que as mulheres se tornaram independentes. Aliás, já houve época em que a traição era considerada feminina — talvez porque traga maiores conseqüências, já que parece ser vivida com mais paixão. Vários romances, entre eles Madame Bovary, de Gustave Flaubert (1821-1880) e O Amante de Lady Chaterley, de D.H. Lawrence (1885-1930), são histórias sobre grandes traições femininas.
O preço a pagar por essas transgressões, masculinas ou femininas, é pessoal e muito alto. Como já diz a canção “Quem trai se trai a si mesmo, no riso no abraço no beijo no olhar”. O traidor vive cindido, dividido. O traído, mesmo sem saber de nada, inconscientemente sente que é enganado. O terceiro lado do triângulo também sofre, se o envolvimento for profundo. Quanto ao casamento, fica sem trocas. O silencio substitui a conversa e as queixas contra o outro são constantes. Ambos assumem o papel de vítima e culpam o outro por sua infelicidade e insatisfação.
Muitas vezes uma conversa difícil pode recuperar o que já parecia acabado. Abrir o coração, contar as próprias fraquezas é uma prova de amor e de confiança que pode refazer a ligação, reaproximando o casal. Não há, entretanto, uma resposta para todos os casos ou solução que se generalize. Nossa vida não é uma novela e sempre há um preço a pagar quando não somos fiéis a nós mesmos.
Amor não tem idade
17 mai 2011 1 Comentário
Preconceitos em geral inibem as pessoas mais velhas e evitam que se apaixonem, namorem com o cônjuge ou encontrem um novo parceiro. Mas é ao atingir a maturidade, depois de muitas experiências, que o idoso domina as frustrações e melhor sabe aproveitar os momentos prazerosos. Idosos devem trabalhar, sair, viajar, dançar, namorar, se apaixonar, ter fantasias. Viver.
O amor, cedo ou tarde, é sempre o mesmo. O corpo pode mudar, mas não os sentimentos. Depois de muitas experiências e também de desilusões, a pessoa mais velha é capaz de amar com intensidade, mas sabendo lidar com as frustrações inerentes a qualquer relacionamento. Ao contrário dos jovens, torna-se menos exigente e sabe valorizar os bons momentos.
Existe um ditado que diz: “Se a juventude soubesse, e se a velhice pudesse.” Hoje, acho que a juventude ainda não sabe, porém a velhice pode. Cinqüenta sessenta ou setenta, até oitenta ou mais -tanto faz. Os exemplos estão por toda parte. Com uma vida saudável, somos iguais ou melhores depois da maturidade.
O terapeuta americano James Hillman (79), junguiano, escreveu em 1999 o livro “A força do caráter e a poética de uma vida longa”, no qual faz uma abordagem revolucionária sobre a terceira idade. No capítulo sobre o erotismo observa que, à medida que os poderes físicos decrescem, solta-se a imaginação que fica mais forte e extravagante.
Aceitamos com maior facilidade que um homem mais velho tenha vida sexual ativa; nossa reação costuma ser oposta quando se trata de mulher. Afinal, a tradição sugere que, após os sessenta anos, ela cuide dos netinhos ou tricote em casa. Nada contra tais atividades. Mas é perfeitamente possível ser uma avó amorosa, fazer trabalhos manuais (ou outros) e usufruir a presença do marido ou do companheiro, reservando momentos de intimidade para os dois. Viajar, sair para dançar, namorar, tudo está em aberto.Os que estão sem par, como Jack Nicholson e Diane Keaton no filme Alguém tem que Ceder, apaixonam-se com o mesmo entusiasmo que tinham aos vinte ou trinta anos.
No entanto, é comum pessoas mais velhas sentirem culpa por ter fantasias sexuais, ridículas por ainda pensarem em namoro, em encontrar alguém. Acham que precisam justificar-se. Mas homem e mulher necessitam do estímulo adequado e da presença de alguém que também sinta desejo. E, sem as fantasias e a imaginação, nem o Viagra funciona.
Atualmente vemos mães e pais de filhos adultos, casados ou sozinhos, que trabalham ou voltaram a estudar, como pessoas sem idade.No convívio com os mais jovens percebem que não são diferentes. Ao contrário, sua experiência de vida e entusiasmo ajudam a fazer amigos, e o prazer que sentem em participar de grupos de várias idades continua o mesmo. Não sentem necessidade de participar de grupos específicos, os chamados de terceira idade ou melhor idade.
Alguns, é verdade, têm de lutar contra a má vontade dos filhos, que prefeririam a mãe ou o pai em casa, ajudando com as crianças. Passam, então, a ter medo do ridículo. Falta-lhes coragem de viver um romance. Submetem-se: “Isso é coisa de jovem.” Posso garantir que não é terreno exclusivo da juventude. Sentimento não tem idade e é território da alma, que nunca envelhece.
Fomos criados com muitos preconceitos em relação à idade, principalmente as mulheres. “Não fica bem usar roupas coloridas”, ou “lugar de velho é em casa”, ouve-se. Ora, não devemos aceitar que outros determinem a nossa vida. Se quisermos ficar em casa, fazer tricô por prazer, é nosso direito. Mas ficar em casa sentindo-se só, à espera de que a vida passe para agradar aos outros, não faz sentido nenhum. Nossa imaginação continua livre. Podemos criar e concretizar nossos desejos. Na arte, no amor, na vida.
O poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), no poema Amor e seu Tempo, escreveu: “Amor é privilégio de maduros estendidos na mais estreita cama, que se torna a mais larga e mais relvosa, roçando, em cada poro, o céu do corpo.” E: “Amor é o que se aprende no limite, depois de se arquivar toda a ciência herdada, ouvida. Amor começa tarde.”
Almas Gêmeas..
17 mai 2011 Deixe um comentário
Com relativa freqüência, quando duas pessoas apaixonadas se conhecem melhor, principalmente depois de algum tempo de namoro ou casamento, desiludem-se com o outro. Surgem então discussões por problemas triviais, que só encobrem decepções. É o momento de compreender o outro e apreciar as diferenças. Duas pessoas iguais em nada se acrescentam.
No período inicial de um relacionamento, com muita atração e paixão, homem e mulher projetam no outro aspectos que consideram desejáveis no outro. É como se descobrissem semelhanças. “Somos tão parecidos, gostamos das mesmas coisas”, ouve-se. Ou: “É minha alma gêmea!” Tais observações definem o encantamento que leva ambos a acreditarem que a relação constitui um encontro de almas.
Depois de algum tempo de namoro ou de casamento, começam a surgir naturais diferenças. Pode parecer estranho, mas as características que motivaram a atração serão consideradas negativas. Os homens, que no início do namoro eram vistos como corajosos, dotados de força e masculinidade, são rotulados de agressivos. O que as mulheres definiam de interesse pelo trabalho, personalidades bem centradas e concentradas, passam a ser manifestações de egoísmo, de pessoas avessas ao diálogo. Quanto às mulheres, em lugar das recatadas, zelosas pelo patrimônio conjunto, amorosas, tornam-se calculistas interesseiras, ciumentas, frias. “O que aconteceu com aquele homem maravilhoso com quem me casei?”, ouve-se. “Onde foi parar minha mulher, tão dedicada e apaixonada? Fui traído”, é a contrapartida masculina. Cada um de nós bem poderia perguntar-se, ao viver tal situação, se continua o mesmo ou se também mudou.
Quando nos apaixonamos, ainda não conhecemos o outro e projetamos nele uma imagem ideal, nossa, interna. Nos apaixonamos, portanto, por nós mesmos, Narcisos. O outro ainda é desconhecido. Com a convivência vem o conhecimento, que pode não coincidir com a projeção — e esta vai se desfazendo. É aí que surgem as diferenças, ou seja, o outro verdadeiro. Ele não mudou, sempre foi assim. Nós é que não o conhecíamos. Pensávamos, por sua beleza, inteligência ou outra qualidade, que corresponderia à nossa imagem ideal. O amor verdadeiro aceita o outro com defeitos e diferenças.
De outro lado, projeção tem um aspecto positivo. Ajuda a conhecer melhor nosso interior, que também tem qualidades e defeitos. Seria saudável se pudéssemos encarar defeitos nossos que estragam uma união. Afinal, a maioria das brigas entre casais ocorre por motivos corriqueiros, que encobrem insatisfação e mágoa.
Tom Jobim e Newton Mendonça, na música Discussão, ensinam: “Eu lhe asseguro, pode crer/ Que quando fala o coração/ Às vezes é melhor perder do que ganhar, você vai ver/ Já percebi a confusão/ Você quer ver prevalecer/ A opinião sobre a razão não pode ser não pode ser/ Por que trocar o sim por não/ Se o resultado é solidão/ Em vez de amor uma saudade/ Vai dizer quem tem razão.”
Não é preciso falar mais nada. O homem prefere calar, mas a mulher insiste em discutir a relação e não sabe calar no momento certo, talvez alterada por ciúme ou sentimento de rejeição. Aqui, o óbvio conselho, que todos conhecem e poucos seguem: se você, seu parceiro ou ambos estão exaltados ou irracionais, deixe para abordar a questão com a cabeça fria.
Sugiro às mulheres que se lembrem de como eram quando namoravam. Melhor ser mais doce, cordata e receptiva. Tente entender e valorizar as diferenças entre você e o companheiro. Não é para ser submissa, mas compreensiva e carinhosa. Para os homens, seria bom aprender a falar de seus problemas e a expressar emoções. A raiva pode indicar interesse — ou seja, a mulher não lhe é indiferente. O pior, para a mulher, é não reagir nem falar — equivalem a ignorar. Por fim, sugiro a ambos: é natural o desejo de ter um parceiro, e também o desejo de, às vezes, ficar a sós. Isso deve ser respeitado, até para recuperar-se do estresse diário. Além disso, é sensato usar as diferenças para complementarem-se — entre iguais não há nada a acrescentar.
Mantenha a sábia música Discussão em sua mente: se o problema não for importante, em assuntos do coração, melhor perder do que ganhar.
Pixinguinha na Pauta
23 abr 2011 Deixe um comentário
Instituto Moreira Salles e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo editam arranjos de Pixingunha
Numa tarde chuvosa em meados dos anos 70, quando dirigia a Rádio Roquette Pinto do Rio de Janeiro, recebi um telefonema aflito de um conhecido. Mal conseguindo articular as palavras informava que os porões do Edifício A Noite, onde se situa a Rádio Nacional, estavam sendo invadidos pelas águas de início de ano. Segundo ele, centenas de caixotes que armazenavam velhos arranjos orquestrais, estavam sendo tragados pela enxurrada. Comuniquei-me com dezenas de pessoas e armei esquemas mirabolantes para retirar às pressas aquele acervo , salvando-o da destruição e levando-o para o local onde deveria estar há tempos, o Museu da Imagem e do Som.
Movido por uma curiosidade fora do comum, fui dias depois ao MIS ver o estado daquelas partituras escritas nos anos 30, 40, 50 e 60 passei dias e dias em contato com aqueles manuscritos – hoje, felizmente, bem preservados e restaurados. Era emocionante ver arranjos escritos à tinta, para grandes, médias e pequenas orquestras, feitos por figuras exponenciais de nossas salas de concerto, como Radamés Gnattali, Guerra Peixe, Claudio Santoro e tantos outros. Em épocas de ouro de nosso rádio, artistas desse nível escreviam arranjos para conjuntos sinfônicos formados pelos melhores instrumentistas da cidade. Nossa música popular era manipulada por gênios de nossa música erudita e, apesar da sofisticação, a Rádio Nacional atingia os maiores índices de audiência da história. Ou seja, o público brasileiro não é o imbecil insensível que os atuais diretores dos meios de massa imaginam.
Toda essa tradição de arranjos orquestrais de música popular teve início nos anos 20 e um pioneiro genial: Alfredo da Rocha Viana Filho, o popular Pixinguinha. Oriundo da prática do mais endiabrado choro instrumental que se fazia no Rio no início do século XX, fruto da tradição do final do século com Calado, Chiquinha, Anacleto, Nazareth e outros, formando conjuntos – sobretudo o 8 Batutas – ele foi destrinchando a rítmica, a melódica e a pronúncia de nossa música de câmara popular e, aos poucos, espraiando-a para conjuntos maiores. Com o nascimento das rádios, dotadas de orquestras e o desenvolvimento das gravações a partir dos anos 20 – também impulsionado pelos experimentos jazzísticos que aqui chegavam dos EEUU – Pixinguinha foi criando uma gramática instrumental para nosso vocabulário musical espontâneo.
Um exemplo de seu trabalho pode agora ser visto e adquirido em lojas especializadas. O Instituto Moreira Salles e a Imprensa Oficial do Estado de S. Paulo – que estão de parabéns por isso – lançam um CD com 36 arranjos de Pixinguinha para orquestra, escritos para o programa O pessoal da Velha Guarda produzido por Almirante para a Rádio Tupi do Rio nas décadas de 1940/50: Pixinguinha na Pauta. Neles é possível identificar um “sinfonismo popular” de grande qualidade, que foi a linguagem básica de nossa música entre os anos 20 e início dos 60, época em que a Bossa Nova promoveu uma revisão de nossa MPB, acrescentando novos componentes e filtrando outros em sua forma de expressão.
Esperamos agora que a excelente Orquestra Jazz-Sinfônica de S. Paulo, que preserva como ninguém esse desenvolvido som sinfônico popular, execute esses arranjos. Assim a proposta do IMS e da Imprensa Oficial estaria completa e o público iria saber que veículos eletrônicos já transmitiram no passado uma música de qualidade – com a qual nossa radiofonia alcançou os mais altos níveis de audiência da história.
Júlio Medaglia
Mar/11
Sentimentos devem ser compartilhados
22 abr 2011 Deixe um comentário
Parceiros que ocultam sentimentos às vezes criam problemas maiores
Há casais que admitem mentiras, ignoram traições e até aceitam violência psicológica apenas pela manutenção do casamento. Isso ocorre porque os parceiros dependem um do outro para justificar as próprias frustrações. Mas eles não percebem que tal atitude pode causar problemas emocionais graves. Só enfrentando suas dificuldades é que poderão se manter juntos e felizes.
M
uiros casais permanecem juntos por 25, are 50 anos num clima de respeito, carinho c atração sexual. Essa comunhão feliz exige dos parceiros equilíbrio emocional e muito amor. Outras uniões, apesar de durarem muitos anos, só são mantidas à custa de muito sacrifício pessoal. Apesar do péssimo relacionamento, um depende do outro justamente para encontrar um álibi que justifique os próprios fracassos. E comum ouvirmos frases como esta: “Não me separo por causa dos filhos”. Na verdade, são desculpas em que a própria pessoa não percebe tratar-se de justificativas de um relacionamento dependente, ocasionando graves danos emocionais.
Nessa confusão de idéias desconexas, sempre há um que aceita tudo sem reclamar, porque é dependente financeira e/ou psicologicamente do outro. Na maioria dos casos, quem cala é a mulher, por sentir-se submissa cultural e financeiramente. Esse comportamento, claro, tem alto preço. Na falsa ilusão de manter o casamento acima de tudo, a pessoa ignora as traições, aceita mentiras e até se submete à violência física ou psicológica. O casamento se mantém, de fato, mas existe renúncia a valores íntimos essências, o que muitas vezes afeta até a saúde. Dependendo do tipo de neurose, a pessoa pode somatizar, isto é, transformar frustrações e sofrimento em doenças crônicas, como enxaqueca, fibromialgia, depressão, insônia e inúmeras outras.
Na verdade, são atos de auto-agressão. Se não dá para agredir o outro, pois não pode viver sem ele, então se agride para culpá-lo com frases como esta: “Estou sempre doente e a culpa é sua”. Alguns preferem até não se desenvolver profissionalmente, porque assim terminaria a dependência financeira e, consequentemente, o relacionamento.
Por isso um não cobra e não confronta o outro, porque sabe que essa atitude pode levar ã separação. Acaba engolindo desaforos, mas os sentimentos reprimidos serão extravasados, muitas vezes de forma violenta, em algum momento. As pessoas não se dão conta de que uma briga, vez ou outra, pode ser até saudável. Discutir é levar em consideração as idéias e os sentimentos do parceiro. O primeiro passo para liberar os sentimentos e mudar essa situação é fa:er um confronto consigo mesmo e deixar de culpar o outro. Dessa forma, a pessoa no íntimo deve perguntar-se: “Por que aceito essa situação?” Pode estar na resposta o caminho para o próprio crescimento e a independência emocional. Para se chegar lá, boa alternativa é procurar amigos, aprender algo novo, cuidar de si mesmo para recuperar a auto-estima e nunca duvidar dos próprios sentimentos.
Além disso, é importante tentar recuperar a verdadeira personalidade, que foi modificada no casamento, não ter medo de ficar sozinho e adquirir a coragem de enfrentar uma conversa honesta com o parceiro. Se não conseguir sozinho, indico a busca de um terapeuta para auxiliar na expressão dos sentimentos.
O confronto não significa necessariamente que vão se separar, mas é uma tentativa de cada um respeitar a integridade do outro. É fundamental saber ouvir para que o ouro ou a prata das bodas não sejam falsos, mas sim verdadeiros.
Trair é natural para pessoas que não pensam nos sentimentos dos outros
22 abr 2011 4 Comentários
Trair faz parte da natureza de pessoas que não conseguem amar
Elas sabem muito bem como seduzir e gostam de se sentir amadas, mas só amam a si mesmas. Inconsequentes, não percebem que ao trair causam sofrimento. Algumas de suas vítimas ficam tão aturdidas que não conseguem se separar, mesmo sabendo que foram enganadas. Precisam de um tempo para desfazer a imagem ilusória que tinham do parceiro ou parceira desleal.
De repente, veio a certeza: aquela pessoa que ela amava, com quem já estava há tantos anos, em quem confiava, com quem tinha ótimo sexo, que era carinhoso, confidente e tudo o mais a traia! Ela já desconfiava das viagens, telefonemas escondidos, presentes inesperados, novas idéias para o sexo. Mas não queria acreditar. Afinal, seria muita falta de caráter de uma pessoa que tinha a sua confiança e dedicação e de quem ela se orgulhava. Além de se sentir enganada, via desmoronar a imagem que tinha do companheiro.
Trair é natural para algumas pessoas. Elas não percebem que com isso destroem amores verdadeiros e ferem quem não merece. Trair faz parte da natureza dealgumas pessoas que não conseguem amar. Como o aventureiro Giacomo Casanova (1725-1798) ou o Don Juan da literatura, elas seduzem vários ou várias, mas não são fiéis a ninguém. Amam somente a si, amam se sentir amadas e desejadas.
A mulher a quem me referi no começo deste artigo no fundo sabia com quem estava lidando. No passado ele tinha tido várias mulheres ao mesmo tempo e isso era de seu conhecimento. Tratava todas com delicadeza, carinho, desejo.Tinha o poder de deixá-las apaixonadas. Comportamento típico do traidor.
Confirmada a infidelidade, veio o dilema. Como agir? Armar um barraco, gritar, agredi-lo, chorar, expulsá-lo de casa? Ou fingir que não sabe, guardar para si a humilhação e a dor e apenas dar indiretas, fazer comentários velados? Ter uma conversa civilizada, dizer que o ama mesmo assim e que esquecerá tudo se ele decidir ficar com ela? Ou simplesmente terminar, sem nem falar por que, já que ele sabe muito bem a razão?
Nenhuma dessas opções parece satisfatória. É como se ela estivesse numa estrada e de repente caíssem barreiras na frente e atrás do carro. Não dá para seguir, nem para voltar. Se armar um barraco, vai perdê-lo para sempre; se fingir que não sabe, talvez somatize a negação, o sofrimento e fique doente, com insônia, enxaqueca ou algo pior. O ideal seria uma conversa verdadeira; mas ela sabe que ele vai negar, dizer que ela é louca por não ver que ele a ama, que tem tesão, que além dela é só o trabalho.
O fato é que ela ainda o ama, embora não aguente ser tratada como burra. Sente uma dor imensa, não para de pensar nele com a outra. Sente culpa: será que isso aconteceu porque ela envelheceu ou se descuidou, será que já não é bonita, onde teria errado?
Não é nada disso. Mulheres maravilhosas como Sandra Bullock (46), Nicole Kidman (43) também foram traídas.
Como dissemos antes, trair, para algumas pessoas, é uma compulsão. É mais forte do que tudo.
Se ela não consegue terminar a relação, talvez a solução menos dolorosa seja continuar nela mais um tempo – para ir, aos poucos, deixando que morra a imagem falsa que tinha desse homem; para se conscientizar de que o homem que ela amava não era ele, mas um reflexo dela mesma. Assim, devagar, ela irá deixando de gostar dele e poderá se abrir para outros interesses, dedicar-se a si mesma, encarar, enfim, a realidade.
Resta-lhe o consolo de saber que não é só com ela que isso acontece, e que tudo acaba um dia, como uma flor que murcha, uma nuvem que passa, uma onda no mar. E que o mais importante é manter sua integridade, seu compromisso com a vida e saber que ela, sim, nunca traiu, apenas amou de verdade.
Para que serve a Terapia?
30 mar 2011 1 Comentário
Descrever um processo terapêutico de uma maneira adequada é difícil, mas dá para mostrar algumas das finalidades a que ela se propõe .
A melhor maneira de saber o que é uma terapia é passando por ela.Diferente da psicanálise na terapia de abordagem junguiana analista e paciente sentam frente a frente.
Jung aboliu o divã porque achava necessário um confronto direto e pessoal. Jung aconselhou o analista a estudar o máximo e aprender tudo que puder, e esquecer tudo quando encarar o paciente..Ele dizia que os analistas devem estar abertos para aprender , e para se adaptar “ao que vem ao seu encontro”.
Ele também diz que todas as abordagens são corretas e devem ser aplicadas e tentadas, para o bem do paciente. Todo o conhecimento do analista deve ser usado sem preconceitos.
A base desta terapia é um diálogo constante entre o ego consciente e o inconsciente.
Não é o que o analista acha ou sua filosofia de vida que deve ser passada ao cliente, nem o que ele considera certo ou normal. Jung acreditava que a psique tem potencial para a cura, e que seguindo o inconsciente através dos sonhos, símbolos, criações artísticas teríamos o caminho para a cura.
O analista está a serviço do cliente e deve se dedicar a faze-lo crescer.
Então o terapeuta deve ter o máximo de conhecimento não só de psicologia mas de literatura, artes, música, mitologia, religiões. Sua vivencia pessoal também ajuda .Tudo isso auxiliará a entender melhor os símbolos e a psique de seu paciente.
Com técnicas variadas, ele pode ajudar a tornar conscientes conteúdos esquecidos como traumas e fatos esquecidos que assim perderão sua força , que impedia o desenvolvimento do paciente.
As técnicas podem ser ; Imaginação ativa, interpretação de sonhos, fantoches, caixa de areia, pintura, expressão corporal, e muito mais.
Quem procura terapia geralmente atribui seus problemas, neuroses, e infelicidade aos acasos da vida ou ao próximo. ( Quanto mais próximo, melhor).É função do terapeuta auxiliar a pessoa a reconhecer sua responsabilidade nos problemas que enfrenta.Para isso apontando a trave no olho ao invés de ver o cisco no olho do vizinho.
A terapia auxilia a desenvolver o processo de desenvolvimento normal. Devemos ajudar a pessoa a entrar em contato consigo mesmo, para desenvolver seu potencial criativo.
Não precisamos ficar doentes ou com problemas para procurar terapia. Ao contrário devíamos iniciar quando estamos bem, para termos mais força e reagirmos com mais equilíbrio aos problemas que todos enfrentam.
A terapia não é uma cura, pois não consideramos o paciente um doente, ele apenas não teve acesso as suas potencialidades, e estas não sendo reconhecidas podem influenciar negativamente sua vida cotidiana.
A terapia de abordagem junguiana tem como foco principal ligar aspectos inconscientes da personalidade ao ser consciente.Alcançando essa meta, seremos transformados através do processo que Jung chamou de “individuação”,unificando a personalidade e tornando-se consciente como individuo único e integro no mundo.
Mentiras despertam ciúmes e acabam com o relacionamento
30 mar 2011 3 Comentários
Qualquer omissão ou falsidade é prejudicial, mas aquelas que envolvem relação amorosa ou sexual com outra pessoa são as mais destruidoras. Quem é enganado uma vez perde a confiança no parceiro e passa a procurar nas suas atitudes as provas de outras traições. A vida do casal pode virar um inferno e às vezes a única saída é a separação.
Numa relação amorosa, há lugar para muitas diferenças. Os parceiros podem gostar de filmes de gêneros exatamente opostos, divergir sobre ter ou não um filho, adotar religiões, times de futebol e escolas de samba diferentes. Quando se ama, tudo isso pode ser contornado, discutido, negociado e tolerado. Apenas uma atitude não admite negociação: a mentira — e a traição, em geral associada a ela. Nenhum relacionamento sobrevive a essa dupla. Capazes de destruir a confiança e o amor, a mentira e a traição certamente são as causas mais freqüentes de separações.
O compositor carioca Noel Rosa (1910-1937) escreveu com seu parceiro Vadico (1910-1962) uma bela canção sobre o assunto. Diz o seguinte: “Pra que mentir/ Se tu ainda não tens/ Esse dom, de saber iludir/ Pra que, pra que mentir/ Se não há necessidade de me trair”.
Faz sentido a dúvida do poeta. Por que mentimos? Às vezes é para nos valorizar. Mentimos sobre nossa idade, nossas realizações, o dinheiro que possuimos, a profissão que exercemos. Ou mentimos para preservar nossa liberdade. Vamos a um lugar e não contamos, compramos algo e escondemos. Mas não adianta querer minimizar as coisas: omitir é o mesmo que mentir. E quem mente por pequenas coisas vai mentir também sobre as grandes, correndo o risco de destruir um grande amor ou marcá-lo com feridas profundas que aos poucos vão acabando com o desejo e a confiança. A lealdade é fundamental para uma pessoa se entregar a outra de corpo e alma. Trair é quebrar o pacto do amor.
Não esperamos nem perdoamos a mentira de quem diz que nos ama.
Se pegamos nosso amor numa mentira, seja ela qual for, a confiança é abalada e abre-se espaço para o ciúme. Esse terrível sentimento envenena a relação e, onde antes havia entrega e espontaneidade, passa a haver desconfiança e insegurança. Depois de sermos enganados uma primeira vez, qualquer falha, qualquer mudança no comportamento do outro desperta nossa dúvida e nosso medo. O alerta fica ligado. Se há amor, quem mentiu e não pretende repeti-lo precisa ter sensibilidade para deixar claras as suas intenções e assim tentar recuperar a credibilidade junto ao parceiro, embora essa não seja uma tarefa fácil.
Em geral, infelizmente, a desconfiança é legítima. Uma detetive profissional, entrevistada recentemente em um canal de televisão, disse que quando uma pessoa contrata alguém para seguir o parceiro supostamente mentiroso ou traidor, em 90% das vezes constata que tinha razão.
Qualquer mentira abala uma relação. Mas a mais destruidora é a que envolve ligação amorosa ou sexual com outra pessoa. Quando isso ocorre, o mais provável é que se instale uma crise violenta, longa, e a relação acabe. Há até quem consiga perdoar, mas todos demoram para esquecer e superar a mágoa.
O ciúme, como sabemos, não tem lógica ou razão, é quase animalesco. Quando há a suspeita de uma traição, o ciumento fica obsessivo e procura desesperadamente a “prova do crime”. A pessoa antes calma e cordata, compreensiva e digna se transforma numa fera, capaz, muitas vezes, até de matar.
Quando se pergunta a homens e mulheres sobre o que é importante para uma relação dar certo, a maioria sempre diz: fidelidade, lealdade, confiança e carinho. Por outro lado, são considerados inaceitáveis a agressividade, a mentira e a traição. Para o casal que deseja viver feliz, recomendo: abram o coração e falem sempre a verdade, mesmo que isso mostre que vocês não são tão bacanas, ricos ou jovens como gostariam, mas confirme que são honestos, confiáveis e leais. É isso que conta num amor verdadeiro.