VIOLENCIA CONTRA A MULHER

Os números assustam. No Brasil, 73 mulheres são violentadas e 12 assassinadas todo dia. Cerca de 40% dos casos ocorrem dentro de casa e o agressor é o próprio marido. Os episódios recentes, da advogada Mercia Nakashima e de Eliza Samudio, são macabros, verdadeiras histórias de terror.

Violência desse tipo ocorre em todas as classes sociais e começa com ciúme e rejeição, na maioria das vezes sem base concreta. As denúncias são raras; a maioria das vítimas aguenta e continua a viver com aquele que pode vir a matá-las. Por que isso ocorre? Por medo, vergonha, carência, machismo e porque elas não acreditam que dormem com o perigo, potencializado pelo uso de drogas e bebidas alcoólicas.

O machismo perdoa os homens e culpa as mulheres. “Se ouviu um gracejo pesado é porque estava vestida para isso”, argumentam alguns. “Se foi violentada é porque se ofereceu e depois negou”, dizem outros. Se um homem tem várias mulheres é um dom-juan, um sedutor, tem esse direito. Se é a mulher que se relaciona com vários parceiros, é considerada fácil, uma sem-vergonha. O senso comum é machista. Uma mulher que usa saia curta pode ser quase linchada, como ocorreu em São Bernardo do Campo (SP) com a estudante Geyse Arruda. Se um homem vai de short à escola, pode até ser proibido de entrar, mas isso jamais afetará sua honra ou ameaçará sua integridade física.
É importante que a mulher fique atenta, pois a violência não é repentina. Um homem não é gentil e tranquilo e de uma hora para outra passa a ser violento com a mulher ou os filhos. Aquele que faz isso em geral é covarde, sem caráter. Tirando raras exceções, seu comportamento não tem nada a ver com doença mental. Ele começa a agredir com palavras, com proibições, com descaso. A mulher vai “engolindo” a violência psicológica, as reclamações sobre o vestido, “curto demais”, as unhas, “compridas demais”, os amigos, que “não prestam”, as irmãs, “péssima companhia”. E ele ainda diz que age “para o bem dela”, o que a faz confundir seu desejo de dominar com amor e cuidado. Nesse ambiente, a mulher vai se isolando, passa a depender totalmente dele – e, quanto mais dependente, mais difícil reagir às agressões. Para piorar, como tende a ser maternal, está sempre pronta para perdoar.
A mulher precisa saber que não deve, nunca, aguentar violência de marido, namorado ou amante. Se o namorado começa a proibir amizades, roupas ou atitudes, já está demonstrando o desejo de dominar. Se gosta dela, deve aceitá-la como é – ou que procure outra, que se vista como ele espera. Se o companheiro proíbe visitas de sua mãe ou de seus parentes, ela deve lembrar, a si e a ele, que a casa também é sua e que, quando casou, já tinha essa família e amigos.
A situação atinge também as crianças, obrigadas a viver num lar violento. A mulher precisa valorizar-se e defender os filhos, para que não se tornem futuros agressores. Sua única culpa, se tem alguma, é tudo aceitar, não denunciar, proteger o agressor, continuar dependente dele. É premente que trabalhe para sua independência financeira e emocional, de modo a só ficar com quem a respeite e a trate como ser humano, com os mesmos deveres e direitos. Os casos recentes servem de alerta, mais uma vez, para que as terríveis estatísticas não cresçam.

About these ads

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 49 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: