Trair é natural para pessoas que não pensam nos sentimentos dos outros

Trair faz parte da natureza de pessoas que não conseguem amar

Elas sabem muito bem como seduzir e gostam de se sentir amadas, mas só amam a si mesmas. Inconsequentes, não percebem que ao trair causam sofrimento. Algumas de suas vítimas ficam tão aturdidas que não conseguem se separar, mesmo sabendo que foram enganadas. Precisam de um tempo para desfazer a imagem ilusória que tinham do parceiro ou parceira desleal.

De repente, veio a certeza: aquela pessoa que ela amava, com quem já estava há tantos anos, em quem confiava, com quem tinha ótimo sexo, que era carinhoso, confidente e tudo o mais a traia! Ela já desconfiava das viagens, telefonemas escondidos, presentes inesperados, novas idéias para o sexo. Mas não queria acreditar. Afinal, seria muita falta de caráter de uma pessoa que tinha a sua confiança e dedicação e de quem ela se orgulhava. Além de se sentir enganada, via desmoronar a imagem que tinha do companheiro.
Trair é natural para algumas pessoas. Elas não percebem que com isso destroem amores verdadeiros e ferem quem não merece. Trair faz parte da natureza dealgumas pessoas que não conseguem amar. Como o aventureiro Giacomo Casanova (1725-1798) ou o Don Juan da literatura, elas seduzem vários ou várias, mas não são fiéis a ninguém. Amam somente a si, amam se sentir amadas e desejadas.
A mulher a quem me referi no começo deste artigo no fundo sabia com quem estava lidando. No passado ele tinha tido várias mulheres ao mesmo tempo e isso era de seu conhecimento. Tratava todas com delicadeza, carinho, desejo.Tinha o poder de deixá-las apaixonadas. Comportamento típico do traidor.
Confirmada a infidelidade, veio o dilema. Como agir? Armar um barraco, gritar, agredi-lo, chorar, expulsá-lo de casa? Ou fingir que não sabe, guardar para si a humilhação e a dor e apenas dar indiretas, fazer comentários velados? Ter uma conversa civilizada, dizer que o ama mesmo assim e que esquecerá tudo se ele decidir ficar com ela? Ou simplesmente terminar, sem nem falar por que, já que ele sabe muito bem a razão?
Nenhuma dessas opções parece satisfatória. É como se ela estivesse numa estrada e de repente caíssem barreiras na frente e atrás do carro. Não dá para seguir, nem para voltar. Se armar um barraco, vai perdê-lo para sempre; se fingir que não sabe, talvez somatize a negação, o sofrimento e fique doente, com insônia, enxaqueca ou algo pior. O ideal seria uma conversa verdadeira; mas ela sabe que ele vai negar, dizer que ela é louca por não ver que ele a ama, que tem tesão, que além dela é só o trabalho.
O fato é que ela ainda o ama, embora não aguente ser tratada como burra. Sente uma dor imensa, não para de pensar nele com a outra. Sente culpa: será que isso aconteceu porque ela envelheceu ou se descuidou, será que já não é bonita, onde teria errado?
Não é nada disso. Mulheres maravilhosas como Sandra Bullock (46), Nicole Kidman (43) também foram traídas.
Como dissemos antes, trair, para algumas pessoas, é uma compulsão. É mais forte do que tudo.
Se ela não consegue terminar a relação, talvez a solução menos dolorosa seja continuar nela mais um tempo – para ir, aos poucos, deixando que morra a imagem falsa que tinha desse homem; para se conscientizar de que o homem que ela amava não era ele, mas um reflexo dela mesma. Assim, devagar, ela irá deixando de gostar dele e poderá se abrir para outros interesses, dedicar-se a si mesma, encarar, enfim, a realidade.
Resta-lhe o consolo de saber que não é só com ela que isso acontece, e que tudo acaba um dia, como uma flor que murcha, uma nuvem que passa, uma onda no mar. E que o mais importante é manter sua integridade, seu compromisso com a vida e saber que ela, sim, nunca traiu, apenas amou de verdade.

4 Comentários (+add yours?)

  1. Patricia
    abr 29, 2011 @ 13:35:48

    Olá Dra. Leniza,
    Meu nome é Patricia, sou médica e tenho 36 anos. Quando li este seu artigo na revista caras fiquei impressionada com a descrição exata do que esta acontecendo comigo neste exato momento. Descobri que meu marido me traia com uma amiga minha em setembro de 2009. Foi horrível! Foram meses de sofrimento, perdida, sem saber o que fazer. Tenho 3 filhos, hoje estão com 4 anos (gêmeos) e um de 6 anos. Logo que descobri ele arrumou uma mala e disse que a amava e que ficaria com ela. Dois dias depois, ele voltou, arrependido e dizendo que me ama, que quer ficar comigo e blá…blá…blá. De lá pra cá, passei dias horríveis, cheguei a quase entrar em coma com calmantes e álcool. Então me encontrei exatamente no que você descreveu…na estrada com barreiras na frente e atrás. Sem saber o que fazer…nada estava certo: terminar? continuar ? Sofri meses tentando decidir se separava ou não. Cheguei a fechar meu consultório e arrumar as malas para ir embora com as crianças e deixá-lo…mas não consegui. Hoje as brigas diminuiram, tento não falar no assunto. Mas vejo a frieza dele com relação ao que passou. Não demonstra sentimento de arrependimento ou compaixão com a minha dor. Nas poucas vezes que tento falar com ele sobre a minha mágoa (que ainda não sumiu) ele responde dizendo que eu também o magoei e que ele teve as suas razões. Estou me sentindo como esta flor que você escreveu. A solução menos dolorosa…dar um tempo para terminar o amor…para deixar de acreditar que ele é uma pessoa capaz de me amar…para que eu possa deixar de amá-lo e enfim cair na realidade e voltar a procurar a minha felicidade. Hoje estou muito melhor, parei de beber e com os calmantes. Penso muito em meus filhos…queria que eles tivessem uma família completa. Não me separo…infelizmente a velha desculpa…por causa deles. Tenho medo de ficar doente com essa mágoa dentro de mim. E o que mais me impressiona é a frieza de meu marido; parece que tudo foi como uma batida de carro sem feridos…chama-se o seguro e está tudo resolvido. Então seu artigo foi perfeito para entender um pouco mais o que se passa na sua cabeça (de meu marido)…ou seja…seu coração é frio…incapaz de amar…ele ama só ele mesmo…e eu não tenho como mudar isso. Agradeço muito a sua narrativa, a minha alma ficou mais leve, talvez agora eu possa perdoá-lo (é a sua natureza trair, não amar ninguém) e quem sabe um dia vou encontrar alguém que realmente me ame…por enquanto vou manter o casamento por causa dos filhos (financeiramente sou independente…na verdade sou eu que pago todas as contas)…mas já sonho com o meu futuro ao lado de uma pessoa que realmente me ame ou pode ser até mesmo sozinha, curtindo apenas o amor de meus filhos. Terei meu compromisso com a minha vida, e meu maior consolo é saber que eu posso amar muito e de VERDADE. Obrigada!

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  2. Elizabeth Lyrio Lozer
    set 12, 2011 @ 17:16:06

    Patricia,
    Sei exatamente o que está sentindo…tenho 37 anos e também estou passando por isso. Também fui traída…mas tive forças para ter iniciativa e pedir o divórcio, afinal, essa traição se deu pela segunda vez, após 7 anos da primeira vez. Na primeira vez, decidi perdoá-lo, pois o amava e também queria uma família completa. Contudo, sempre tive a certeza de que, numa próxima ocorrência, não me permitiria permanecer nessa situação. Tive um único filho e meu filho optou por ficar com o pai, pois tem 17 anos e o direito de escolha. Sofrimento duplicado para mim.
    Uma coisa posso afirmar…não consigo deixar de amá-lo. Talvez, porque foi amor de verdade. Não sei se essa justificativa define corretamente o fato. Foi o meu primeiro e único namorado, com quem iniciei o namoro aos 14 anos. Desde então, meu único relacionamento. Ele encaixa-se perfeitamente ao texto da Leniza, ama somente a si mesmo. Adquiri consciência disso tudo e por isso escolhi não tê-lo como meu marido. O tempo e Deus irão encarregar-se de amenizar as marcas do meu coração que, até o momento, parecem insistir em permanecer. Isso ocorreu há um ano e meio. Peço a Deus em minhas orações para que me dê um coração novo, uma vida nova e um novo sentido em minha vida.
    As matérias de Leniza são de extrema valia para que possamos adquirir conhecimento e assim fortalecermo-nos e desejar aplicá-los em nossa vida.
    Bênçãos sobre a sua vida e a de seus familiares.
    Felicidades.

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  3. Sandra
    set 25, 2011 @ 20:57:34

    Leniza, impressionante como você descreveu com perfeição o que nós mulheres que já fomos traídas sentimos. É realidade tudo o que se passa em nosso coração, conforme descrito…
    Patrícia, vc foi muito feliz no seu comentário: “E o que mais me impressiona é a frieza de meu marido; parece que tudo foi como uma batida de carro sem feridos…chama-se o seguro e está tudo resolvido”. É exatamente isso o que parece acontecer com eles, é como se fosse uma coisa simples e natural, onde eles não se sentem culpados com o que fizeram e que nós temos obrigação de perdoar e o que é pior: esquecer tudo o que aconteceu!
    Um forte abraço!

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