Almas Gêmeas..
17 mai 2011 Deixe um comentário
Com relativa freqüência, quando duas pessoas apaixonadas se conhecem melhor, principalmente depois de algum tempo de namoro ou casamento, desiludem-se com o outro. Surgem então discussões por problemas triviais, que só encobrem decepções. É o momento de compreender o outro e apreciar as diferenças. Duas pessoas iguais em nada se acrescentam.
No período inicial de um relacionamento, com muita atração e paixão, homem e mulher projetam no outro aspectos que consideram desejáveis no outro. É como se descobrissem semelhanças. “Somos tão parecidos, gostamos das mesmas coisas”, ouve-se. Ou: “É minha alma gêmea!” Tais observações definem o encantamento que leva ambos a acreditarem que a relação constitui um encontro de almas.
Depois de algum tempo de namoro ou de casamento, começam a surgir naturais diferenças. Pode parecer estranho, mas as características que motivaram a atração serão consideradas negativas. Os homens, que no início do namoro eram vistos como corajosos, dotados de força e masculinidade, são rotulados de agressivos. O que as mulheres definiam de interesse pelo trabalho, personalidades bem centradas e concentradas, passam a ser manifestações de egoísmo, de pessoas avessas ao diálogo. Quanto às mulheres, em lugar das recatadas, zelosas pelo patrimônio conjunto, amorosas, tornam-se calculistas interesseiras, ciumentas, frias. “O que aconteceu com aquele homem maravilhoso com quem me casei?”, ouve-se. “Onde foi parar minha mulher, tão dedicada e apaixonada? Fui traído”, é a contrapartida masculina. Cada um de nós bem poderia perguntar-se, ao viver tal situação, se continua o mesmo ou se também mudou.
Quando nos apaixonamos, ainda não conhecemos o outro e projetamos nele uma imagem ideal, nossa, interna. Nos apaixonamos, portanto, por nós mesmos, Narcisos. O outro ainda é desconhecido. Com a convivência vem o conhecimento, que pode não coincidir com a projeção — e esta vai se desfazendo. É aí que surgem as diferenças, ou seja, o outro verdadeiro. Ele não mudou, sempre foi assim. Nós é que não o conhecíamos. Pensávamos, por sua beleza, inteligência ou outra qualidade, que corresponderia à nossa imagem ideal. O amor verdadeiro aceita o outro com defeitos e diferenças.
De outro lado, projeção tem um aspecto positivo. Ajuda a conhecer melhor nosso interior, que também tem qualidades e defeitos. Seria saudável se pudéssemos encarar defeitos nossos que estragam uma união. Afinal, a maioria das brigas entre casais ocorre por motivos corriqueiros, que encobrem insatisfação e mágoa.
Tom Jobim e Newton Mendonça, na música Discussão, ensinam: “Eu lhe asseguro, pode crer/ Que quando fala o coração/ Às vezes é melhor perder do que ganhar, você vai ver/ Já percebi a confusão/ Você quer ver prevalecer/ A opinião sobre a razão não pode ser não pode ser/ Por que trocar o sim por não/ Se o resultado é solidão/ Em vez de amor uma saudade/ Vai dizer quem tem razão.”
Não é preciso falar mais nada. O homem prefere calar, mas a mulher insiste em discutir a relação e não sabe calar no momento certo, talvez alterada por ciúme ou sentimento de rejeição. Aqui, o óbvio conselho, que todos conhecem e poucos seguem: se você, seu parceiro ou ambos estão exaltados ou irracionais, deixe para abordar a questão com a cabeça fria.
Sugiro às mulheres que se lembrem de como eram quando namoravam. Melhor ser mais doce, cordata e receptiva. Tente entender e valorizar as diferenças entre você e o companheiro. Não é para ser submissa, mas compreensiva e carinhosa. Para os homens, seria bom aprender a falar de seus problemas e a expressar emoções. A raiva pode indicar interesse — ou seja, a mulher não lhe é indiferente. O pior, para a mulher, é não reagir nem falar — equivalem a ignorar. Por fim, sugiro a ambos: é natural o desejo de ter um parceiro, e também o desejo de, às vezes, ficar a sós. Isso deve ser respeitado, até para recuperar-se do estresse diário. Além disso, é sensato usar as diferenças para complementarem-se — entre iguais não há nada a acrescentar.
Mantenha a sábia música Discussão em sua mente: se o problema não for importante, em assuntos do coração, melhor perder do que ganhar.